“Mande avisar o povo goiano que nós vamos arrasar”, diz Hermeto Pascoal

Texto: Déborah Gouthier
No dia 22 de junho de 1936 ele fez seu primeiro som pelo mundo. E nunca mais parou. Para ele, tudo é argumento para música: um cano de mamona de abóbora vira pífano, chaleira vira percussão, suspiro vira poesia. Hermeto Pascoal é o mago da música brasileira e chega a Goiânia no dia 26 de setembro para transformar o Festival Internacional de Música em Goiás (Figo) em seu grande caldeirão.

“Mande avisar o povo goiano que nós vamos arrasar e fazer um som bonito, se Deus quiser”, promete Hermeto, animado com a possibilidade de tocar na capital goiana depois de tantos anos. “Minha família é o público. Ele é a razão das coisas que o Hermeto faz. Me inspiro neles. Para cada um da plateia eu escuto uma imagem, vejo uma cor diferente, por isso é uma emoção quando vou tocar em qualquer lugar. Mas quando demoro a tocar, a emoção é ainda maior. Como em Goiânia, que eu sinto agora como se nunca tivesse ido”, declara.

Pensando nisso, o poli-instrumentista, que é sucesso no mundo inteiro, preparou um repertório especial para o público do Figo 2014. Ele explica que serão apresentados sucessos de toda a sua carreira, mas também algumas músicas novas, que entram de improviso, conforme a vontade e a sensação dos músicos.

“Tem algumas músicas de peso que nós sempre temos que tocar, porque o público muda e quer ouvir aquilo. Mas cada vez que a gente toca é de uma maneira, os dias e os lugares mudam, então, a interpretação também”, explica Hermeto.

 

“As músicas são seres para mim, elas falam comigo. Antes do show tem uma lista, mas vamos mudando conforme as lembranças, colocando uns solos e improvisos.”

Questionado sobre sua opinião a respeito da realização de um festival com foco na música erudita, jazz, blues e instrumental, Hermeto Pascoal sugere que, em sua próxima edição, o Figo venha a se chamar “festival salada mista”, por se tratar de música universal e para todos os públicos.

Ele conta que já participou de festivais musicais em todo o mundo, e que a música que mais emociona é sempre a brasileira. “Qualquer frevo é mais lindo do que qualquer blues. Os americanos assistem ao meu show, olham a gente tocando chaleira e choram de emoção. Então, os festivais têm que chamar o público e os artistas de todo o mundo para mostrar isso mesmo, essa produção musical linda que nós temos.”

Hermeto Pascoal - 1 foto Rique Barbo  Hermeto Pascoal - 2 foto Aloízio Jordão  Hermeto Pascoal - foto Aloízio Jordão  Hermeto Pascoal - foto Rique Barbo  Hermeto Pascoal - 1 foto Aloízio Jordão

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